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Artigo24 de fevereiro de 20264 min de leitura

A origem da Psicologia e suas abordagens psicológicas

Um breve relato da história da psicologia e o ponto de partida para que possamos falar de assuntos mais complexos.

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Ao longo da história muitos povos se ocuparam de produzir conhecimento sobre o corpo e a mente. Fatores históricos como guerras, desastres ambientais, colonizações e intercâmbio cultural, contribuíram para que o legado de certos povos perdurasse e o de outros não. 

Os gregos exerceram grande influência na civilização tal como conhecemos hoje e, por conta disso, a Grécia é considerada o berço da civilização ocidental. Dos gregos herdamos não somente a democracia mas também a forma de pensar e interpretar o mundo - e chamamos essa prática de filosofia. Nosso desenvolvimento científico tem seu alicerce mais antigo na filosofia grega, deste modo, a psicologia e todas as outras ciências são derivadas da filosofia. 

No século XIX o médico Wilhelm Wundt inaugurou na Alemanha o primeiro laboratório dedicado exclusivamente à pesquisa psicológica, onde conduziu estudos sobre sensações, atenção, consciência e introspecção.
Até então não existiam cursos de psicologia e é justamente a partir do trabalho de Wundt que a psicologia torna-se uma disciplina, se espalhando para outros institutos no continente europeu.

Quando falamos de ciência, especialmente nas ciências naturais, pensamos em um trabalho de observação, formulação e testagem de hipóteses… A teoria que se prova mais alinhada com a realidade substitui as demais. 

Mas nas ciências humanas as coisas não funcionam bem assim. A psicologia não se desenvolveu de forma linear como uma sucessão de avanços científicos sobrepostos que consolidaram uma única forma de entender o mundo. Depois de Wundt, dentro da psicologia, diferentes teorias e linhas de pensamento surgiram, mas nenhuma foi suficiente para dar conta de explicar tudo. Apesar dessas linhas muitas vezes serem diametralmente opostas, elas são igualmente importantes para a consolidação da psicologia como ciência.

"Diante desta pluralidade, que fazer? Penso que essa diversidade é o que torna a psicologia tão excitante e desafiadora pois, afinal, é uma ciência em construção. Edna Heidbreder (1969) propõe a seguinte metáfora: as diferentes escolas de psicologia são como os andaimes utilizados na construção dos prédios. Sem eles, a estrutura do prédio não pode ser construída, mas quando o prédio está pronto, os andaimes perdem sua função e podem ser dispensados." Fabio Thá em PSICOLOGIA(S): SINGULAR OU PLURAL?

Lembro com muito carinho das palavras do professor Márcio Miotto que nos idos de 2013 oferecia o curso de história da psicologia na Universidade Federal Fluminense: Vocês chegaram aqui pensando em a psicologia, mas existem as psicologias.    Se você acha que esse assunto está muito abstrato, aí vai um exemplo prático. Olhemos as contribuições de Sigmund Freud e John Watson.

  1. Freud foi um médico neurologista que entre os séculos XIX e XX prestou importantes contribuições para a psicologia. Quase descobriu o funcionamento dos neurônios e não o fez porque seu projeto de psicologia se distanciou da fisiologia para se ocupar de outra forma de estudar o funcionamento da mente. O objeto de estudo da psicanálise de Sigmund, o inconsciente, não está em uma célula do nosso corpo e não pode ser observável em um experimento laboratorial. Freud continua sendo relevante para o campo psicanalítico contemporâneo e hoje, quando um psicanalista faz um atendimento online,  se for um bom analista, ele estará empenhado em escutar o inconsciente. 

  2. John Watson foi um psicólogo estadunidense do século XX. Considerado o precursor do movimento chamado comportamentalismo(behaviorismo) Watson contribui para psicologia com uma abordagem que rejeita a introspecção[^1], propondo que o comportamento de um organismo pode ser observado, reforçado e condicionado. Sua proposta foi o ponto de partida para uma nova forma de fazer psicologia e seu legado sustenta até hoje as abordagens cognitivas comportamentais da psicologia. [^1]: Processo de observar e analisar os próprios pensamentos, fundamental para a psicanálise.

Psicanálise e o Behaviorismo são componentes da psicologia, não se excluem nem tampouco se complementam: elas coexistem. 

O mesmo vale para a esquizoanálise de Félix Guattari, a psicologia analítica de Jung e a gestalt de Wertheimer. Todas essas são abordagens psicológicas que se originam de escolas fundamentais para consolidação da psicologia enquanto ciência.

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Matheus Mello
Autor

Matheus Mello

Psicólogo clínico especializado em psicanálise e psicodinâmica do trabalho. Formado pela Universidade Federal Fluminense. Atendimento online e presencial em Rio das Ostras.

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